25 anos sem fumar e câncer de pulmão mata Johan Cruyff

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Segunda-feira, 19 de junho de 2017, 11:05 am, última atualização

A lenda holandesa de futebol perdeu o jogo contra o câncer de pulmão, o que não pode enganar nem ao abandonar o tabaco. Por que aparece o câncer de pulmão em pessoas que deixaram de fumar e que, como Cruyff, foram ou são atletas? Conheça os riscos de ser exfumador e como pôde ter tratado o câncer de Johan Cruyff. ¡Esclarecer suas dúvidas!


Johan Cruyff, o Risco de câncer de pulmão em ex-fumadores são


O outro vício de Johan Cruyff


“Na minha vida eu tive duas grandes vícios de: fumar e jogar futebol. O futebol me deu tudo na vida, em troca, fumar, quase me tira”, disse Cruyff, na década de 90, enquanto dava um pontapé a um pacote de cigarros para uma campanha contra o tabagismo.


Apesar de seus louváveis esforços, o holandês nem sempre se posicionou a favor de deixar de fumar. Enquanto era treinador do Barcelona não só gozava da fama de ser um dos líderes do futebol, é também a de ser um dos fumadores compulsivos mais conhecidos.


Muitas vezes o vi fumando cigarros sem filtro, enquanto dirigia aos seus equipamentos do banco de reservas e em sua carreira como jogador na década de 70 costumava acender um charuto nos intervalos ou mesmo ao sair de chuveiros sem se importar com que as pessoas soubessem sobre o seu consumo de tabaco.


Mas, em 1991, se viu obrigado a abandonar o tabaco, depois de sofrer um ataque cardíaco e cirurgia a coração aberto para atender a uma insuficiência coronariana aguda, doença em que o sangue tem problemas para fluir para o coração. Esta é apenas uma das doenças associadas ao tabagismo, que incluem:



  • Câncer. As substâncias que se encontram no tabaco não só aumentam o risco de desenvolver câncer de pulmão, mas também podem causar tumores em lábios, língua, garganta, esôfago ou bexiga, entre outros.

  • Doenças do coração e vasos sanguíneos. Pode agravar os distúrbios do ritmo cardíaco, bem como causar problemas de circulação e entupimento das artérias, que por sua vez pode provocar infartos do miocárdio, derrame e crises cardíacas da doença coronariana.

  • Doenças respiratórias. A tosse e a expectoração é três vezes mais comum em fumantes compulsivos, que apresentam níveis de função pulmonar diminuídos, assim como um risco aumentado de bronquite e outras doenças crônicas.

  • Doenças gastrointestinais. O refluxo gastroesofágico, que causa azia, e a úlcera duodenal, ferida aberta no revestimento do estômago, são mais freqüentes em fumantes.

  • Diabetes. Aqueles que fumam têm entre 30 a 40% a mais de chances de ter diabetes tipo 2 do que os não fumantes.

  • Disfunção erétil. Fumar favorece o aparecimento de doenças vasculares, devido à estreita o diâmetro das artérias e prejudica a capacidade das válvulas do pênis para reter o sangue.

  • Degeneração da retina. A degeneração macular coloca em risco de perder a visão.

Depois de seus problemas cardíacos, tornou-se habitual ver a Estréia, na borda do campo, dando instruções aos seus jogadores, não com um charuto na boca, mas com uma paleta. Com este caramelo aparece comemorando os quatro títulos da Liga, que venceu o Barça entre 1991 e 1994.


Riscos de ser exfumador


Apesar de abandonar o consumo de tabaco por cerca de 25 anos, que foi considerado um dos melhores jogadores da história do futebol anunciou, em outubro de 2015, que sofria de câncer de pulmão, o que não deixa de ser um dos riscos de ser exfumador.


Geralmente, o risco de câncer de pulmão em ex-fumadores são diminui com o tempo, já que o corpo repara o dano produzido por charutos. Mas isso é proporcional ao tempo de exposição ao fumo do tabaco, por exemplo, que tenha fumado por 20 anos, você precisará de pelo menos 15 para reduzir o risco de desenvolver esta doença ao nível normal da população.


Por isso, deixar de fumar significa que já não se está exposto ativamente ao fumo do tabaco, mas persistem nela os danos causados pela exposição anterior. Inclusive, pesquisas sugerem que os danos irreversíveis de fumar incluem sequelas em alguns genes associados com o câncer de pulmão.


Câncer de Johan Cruyff


Quem fora o arquétipo do sistema de jogo de “futebol total” e três vezes vencedor da Bola de Ouro combateu o câncer de pulmão, cerca de cinco meses. No entanto, perdeu o jogo em 5 de março de 2016, aos 68 anos. Embora não esclareceu que tipo de câncer apresentavam, os cânceres de pulmão mais frequentes são:



  • Câncer de pulmão de pequenas células ou microcítico. Seu nome se deve a que as suas células microcíticas são muito pequenas. Até 20% dos cânceres de pulmão são deste tipo. Localiza-Se preferencialmente na zona central dos pulmões, podendo comprimir vasos ou órgãos localizados nesse nível (como a veia cava). Caracterizam-Se por sua alta agressividade e crescimento rápido.

  • Câncer de pulmão não microcítico. Representa 80% dos cânceres de pulmão. Seus tipos mais freqüentes são: carcinoma escamoso ou epidermoide (representa 40%, geralmente localizada na parte central dos pulmões e tem crescimento relativamente lento), adenocarcinoma (que representam 30%, costuma aparecer mais em mulheres e localizados em zonas periféricas dos pulmões), bem como carcinoma de células grandes (representando 10% e é chamado assim devido ao tamanho de suas células).
Risco de câncer de pulmão em ex-fumadores são

O câncer de pulmão é o tipo de câncer mais mortal tanto para homens como para mulheres. É mais comum em maiores de 45 anos e o consumo de tabaco é a principal causa. Os sintomas de câncer de pulmão mais comuns que podem chamar a atenção são:



  • Dor no tórax.

  • Tosse que não desaparece.

  • Tosse com sangue.

  • Fadiga.

  • Perda de peso involuntária.

  • Falta de apetite ou perda do desejo de comer.

  • Dificuldade para respirar.

  • Sibilos ou sons silbantes e gritando durante a respiração.

Com freqüência o diagnóstico de câncer de pulmão se realiza através de um exame físico (presença de líquido ao redor do pulmão pode sugerir câncer), a história clínica (quanto mais cigarros se fumam ou mais cedo se começa a consumir tabaco, maior será o risco) e provas (como raios-x ou tomografia computadorizada). Além disso, se extrai uma amostra de tecido para análise sob o microscópio e confirmação do diagnóstico.


Uma vez que você tenha confirmado o diagnóstico, deve-se determinar o tratamento docâncer de pulmão, o qual depende do tipo de câncer, o avançado que esteja e de quão saudável está o doente. Geralmente são utilizados os seguintes métodos:



  • Cirurgia para remover o tumor. Você pode fazer quando ele não se espalhou para além dos gânglios linfáticos próximos (metástases).

  • Quimioterapia. São utilizados medicamentos para destruir as células cancerosas e impedir o crescimento destas.

  • Radioterapia. Emprega poderosos raios X ou outras formas de radiação para destruir as células cancerosas.

Estes tratamentos podem ser feitos sozinhos ou combinados, cabe destacar que cada um envolve riscos. Em todo o caso, o especialista recomenda e explica as possibilidades de tratamento ótimas em cada caso, para que o paciente conte com toda a informação.


Há que se destacar a importância do diagnóstico precoce no tratamento do câncer de pulmão. Até 85% dos casos desta doença são diagnosticados nos estádios III e IV (quatro possíveis que determinam o tamanho e localização do tumor), pelo que a sobrevivência do câncer de pulmão , nestes casos, não costuma ultrapassar 5% aos cinco anos. Não obstante, quando se detecta em um estádio precoce trata-se de uma doença curável.


Como prevenir o câncer de pulmão


A prevenção é a arma mais eficaz contra o câncer de pulmão, já que mais de 80% dos casos devem-se à exposição ao fumo do tabaco, o melhor é não começar ou parar de fumar. Apesar de abandonar o tabaco é complicado, é a melhor opção.


Se bem, existem várias respostas para como deixar de fumar, incluindo o assessoramento de especialistas, terapêutica comportamental, restituição da nicotina (ajudando de gomas de mascar, patches ou inaladores) e certos medicamentos (bupropiona e vareniclina), além das clínicas de tabaco que se encontram em alguns hospitais e centros de saúde.